
Texto criado na aula de Estratégias Discursivas -
Prof Mirian M.
Por Melissa Rachel
O Planalto jogou duro ao exigir a aprovação no Senado do salário mínimo de R$ 545,00 sem a inclusão de cacos ou emendas no projeto aprovado pelos deputados. O governo não admite, em hipótese alguma, que o projeto volte a ser apreciado pelo plenário da Câmara, atrasando a entrada em vigor da nova política do piso.
Um trabalhador que recebe apenas um salário mínimo de R$ 545,00, que foi aprovado, terá que trabalhar por 56 anos ininterruptos, sem gastar nada, para enfim somar o equivalente ao recebido por um deputado federal em um ano de mandato.
O site Congresso em Foco fez uma conta que mostrou o limiar que separa assalariados comuns dos parlamentares de Brasília. Com o recente aumento
aprovado no fim do ano passado, os congressistas, a presidente, o vice e os ministros recebem, por ano, 15 salários de R$ 26,7 mil, o que soma o equivalente a R$ 400,5 mil. Já o trabalhador assalariado será 13 ordenados de R$ 545, o que dará R$ 7.085. Numa outra comparação, quem recebe R$ 545 por mês levará quatro anos para alcançar o que parlamentares têm em sua conta após um único mês de trabalho.
A Câmara dos Deputados aprovou o aumento defendido pelo governo, contra as propostas de R$560 e R$600 feitas pelas centrais sindicais e pelo PSDB. O Planalto espera uma correção da tabela do Imposto de Renda em, no mínimo, 4,5%, mas esse porcentual pode ser maior.
Com a correção maior do salário mínimo, o governo também elevará os gastos públicos neste ano, R$ 300 milhões a mais em gastos por conta do pagamento de benefícios previdenciários a cada R$ 1 de reajuste. Deste modo, o aumento em R$ 5 no salário mínimo poderá ter um impacto de
R$ 1 bilhão a R$ 1,5 bilhão nas contas públicas em 2011.
Traçando uma linha cronológica, vemos que quando foi implementado, na década de 1940, o salário mínimo era regional e seu valor dependia do custo de vida de cada região, podendo assumir até 14 valores diferentes.
Cr$ 120,00. Já na cidade do Rio de Janeiro, o salário valia o dobro,
Cr$ 240,00. Ao longo das décadas o salário mínimo foi perdendo essa regionalidade, buscando cada vez mais a unidade. Com a inflação sobre controle da ultima década e todos os reajustes anuais o último valor, R$ 465,00, já era tido para muitos como insuficiente para atender as chamadas necessidades básicas alimentação, moradia, vestuário, transporte, lazer, saúde, educação, higiene, previdência) de uma família com mais de 4 componentes.
Nem todos os trabalhadores se dão ao “luxo” de receber pelo menos um salário mínimo por mês, esse é o caso de alguns trabalhadores da iniciativa privada que não tem o teto salarial definido por lei. No estado de São Paulo, por exemplo, existe o piso salarial regional, são 3 faixas indo de
R$505,00 a R$545,00, dependendo da qualificação do trabalhador e da função exercida. A medida porém não se aplica a servidores públicos, municipais ou estaduais.